"Comprei uma tintura de cabelo e quando passei, o cabelo caiu. Estou andando na rua de boné, pois estou com muita vergonha".

"Tenho um amigo cabeleireiro que usou uma determinada marca de tintura de cabelo em duas clientes e verificou que ambas tiveram seus cabelos extremamente danificados, inclusive com queda acentuada. Gostaria de saber qual é a possibilidade do Inmetro realizar análise neste tipo de produto".

"Estou recorrendo a vocês porque utilizei um produto e, após a aplicação, enxagüei-os e começaram a cair numa quantidade superior ao normal e, além disso, senti uma ardência no couro cabeludo".

"Sou usuária de uma certa tintura, que possui preço bem abaixo das demais encontradas no mercado. Gostaria de saber se esta tintura contém chumbo, embora em sua embalagem não conste esse componente. Diversas pessoas já me disseram que existe chumbo em sua composição. Haveria a possibilidade de análise por parte do Inmetro?"

"Sou advogado e defendo um consumidor analfabeto que utilizando-se de um produto para tingir os cabelos, sofreu sério processo alérgico por causa da amônia, componente do produto. A advertência sobre este risco é feita em letras miúdas que ficam na parte debaixo da embalagem. Gostaria de saber se o Inmetro poderia verificar a adequação ou não sobre a periculosidade do produto".

com base em relatos como esses o Inmetro analisou 15 marcas de tinturas para cabelo.

Nove marcas tiveram amostras consideradas não conformes em pelo menos um dos critérios estabelecidos pela legislação vigente.

Em três marcas foram identificadas não conformidades no ensaio de determinação de pH, porém os valores de pH encontrados não ofereciam riscos à saúde do consumidor. Nas avaliações de rotulagem e registro, nove marcas foram consideradas em situação irregular; sete por apresentarem diferenças entre o produto registrado na Agência Nacional de Vigilância Sanitária e o comercializado; e duas por estarem com registro irregular, ou seja, nem mesmo poderiam ser comercializadas.

Os produtos analisados foram adquiridos no comércio dos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia e Pernambuco, entre os 115 diferentes tipos de tinturas encontradas em pesquisa realizada pelos órgãos delegados do Inmetro (Rede Brasileira de Metrologia Legal e Qualidade).

Resultado: Das 15 marcas analisadas, 03 tiveram amostras consideradas Não Conformes por apresentarem valor de pH diferente do declarado pelo fabricante no processo de registro. São elas: Marca A, Marca C e Marca M.

Segundo o art. 37§ 1º, do Código de Proteção e Defesa do Consumidor:

"É proibida toda publicidade enganosa ou abusiva. É enganosa qualquer modalidade de informação ou comunicação de caráter publicitário, inteira ou parcialmente falsa, ou, por qualquer outro modo, mesmo por omissão, capaz de induzir ao erro o consumidor a respeito da natureza, características, qualidade, quantidade, propriedades, origem, preço e quaisquer outros dados sobre produtos e serviços".

Por outro lado, cabe ressaltar que os pHs encontrados não estão na faixa de corrosividade e, por isso, não oferecem risco à segurança do consumidor, quando usados conforme especificação do fabricante.

Obs.: Com relação ao valor de pH, as tinturas da marca F, marca G, marca I, marca J e marca K foram consideradas Conformes, ou seja, suas amostras não apresentaram pH indicativo de potencial de corrosividade. Entretanto, o ensaio, apesar de ter sido realizado, foi considerado Não aplicável pelo fato de seus fabricantes não terem declarado - por não ser obrigatório - no documento apresentado para registro na Anvisa os valores de pH de seus produtos. Sendo assim, os resultados encontrados neste ensaio não são considerados conclusivos em relação a este critério.

Resultado: Das 15 marcas analisadas, 09 (60%) tiveram amostras consideradas Não Conformes neste ensaio. São elas: marca A, marca C, marca D, marca F, marca H, marca K marca L, marca M e marca O.

Esta avaliação demonstrou que muitos fabricantes registram um produto na Anvisa e colocam à disposição dos consumidores outro, diferente do registrado e aprovado pelo órgão regulamentador. Cabe destacar que as tinturas da marca F e da marca H não poderiam estar nem mesmo sendo comercializadas. A primeira foi registrada na Anvisa como uma tintura temporária e a segunda está com o registro vencido desde 20 de janeiro de 2005. A tintura da marca D, por sua vez, registrou uma fórmula de produto na Anvisa e coloca à disposição do consumidor outro, com formulação diferente da registrada.

Leia a avaliação completa em: http://www.inmetro.gov.br/consumidor/produtos/tintura_cabelo.asp

0 opiniões: